Que efeito podemos esperar hoje de um livro de contos (Ou quase contos, ou quase poemas quase contos de tão prosipoéticos) que, dispondo de pseudo pistas de autobiografia, memória, autoficção, e de intertextualidade e de jogo narrativo compósito e debochado do autor, lança mão de uma linguagem que procura desbancar os diversos cacoetes da escrita criativa "erudita" e "literária"? Uma resposta pode ser encontrada (ou melhor, inferida e sobretudo usufruída) nos contos-retratos (um golpe de mestre, aliás, essa estratégia de narrativa) que Aversão oficial, de Paulo Dutra, expõe, mirando certeiramente a contramão da literatice. (Paulo Roberto Sodré)Editora: MalêAno: 2018Idioma: PortuguêsISBN: 8592736374Dimensões : 20.8 x 13.6 x 1.2 cmDescrição: 88 páginas - brochura
Em A cor da demanda, Éle Semog lança seu olhar afiado como lâmina em brasa sobre as realidades que ora nos afligem, ora nos enternecem. Seus poemas traduzem com uma sinceridade emocionante, e sem concessões, as conexões que o poeta traça com “os urbanos”, “com as mulheres”, “com o romance”, “com as crianças”, “com o machismo” e com o “racismo” – esta chaga que constitui e conduz as nossas sociabilidades. A cor da demanda é poesia pura, organismo vivo, boêmia e labor e, também, história reexistida – como bem idealizaram os escritores que, com Semog, no final da década de 1970 pensaram e escreveram o que se entende por literatura negro-brasileira. Nesta reexistência, a demanda é pelo estado de alerta para o que das negritudes vem sendo sequestrado, como dito no poema Na boca do povo, “Dizem de mim infernos. Só não falam de mim, o céu que me querem tomar.” O olhar do poeta, nesta coletânea, é quase sempre voo rasante sobre as superfícies da vida, quase às toca, segue livre; em alguns momentos mira a África, estrela iluminada na consciência afro-brasileira, “Como é bom poetar desde lá d’África. Não há griot que esqueça! Não há sorte que arrefeça!”. Dos múltiplos pontos de observação transformados em poesia, Semog mantém-se firme em impregnar o livro da sua existência de lutas, lutos e vitórias.Editora: MalêAno: 2018Idioma: PortuguêsISBN: 8592736250Dimensões : 20.8 x 13.4 x 1.2 cmDescrição: 180 páginas - brochura
Percebe-se que Dany Wambire não está apenas à busca de um modo de dizer: ele tem já uma raiz que é sua, um traço estilístico que define a sua identidade. Estes contos são um mergulho nesse outro mundo que não aceitamos ver mas que é nosso e que traduz a nossa diversidade de povo. Há nestes textos uma lógica marginal mas que quer ser parte da correnteza do rio e as personagens, aparentemente estranhas das suas histórias, apenas espelham a realidade plural do nosso quotidiano.Está de parabéns Dany Wambire pela sua persistência, pelo caminho que está sulcando num chão de criatividade que terá, não tarda, a marca inteira e exclusiva da sua autoria. - Mia CoutoEditora: MalêAno: 2017Idioma: PortuguêsISBN: 8592736102Dimensões : 20.8 x 14 x 1 cmDescrição: 92 páginas - brochura
Os quinze contos de "Amar antes que amanheça" criam um painel sobre os diversos tipo de amor. Cristiane Sobral apresenta personagens que encaram situações em que a urgência de amar (antes que amanheça) é uma necessidade para a vida.Editora: MalêAno: 2021Idioma: PortuguêsISBN: 6587746292Dimensões : 5.6 x 1.1 x 21.1 cmDescrição: 140 páginas - brochura
No Brasil, a questão do preconceito racial é tão complexa que parece desafiar a própria objetividade dos números. Em uma pesquisa realizada em 1988, 97% dos entrevistados afirmaram não serem racistas, mas 98% deles declararam conhecer alguém que fosse. E nem mesmo as análises mais biológicas, que apostam num DNA fixo para a nossa pele parecem resistir à ambiguidade das relações sociais brasileiras, já que, como se diz popularmente, "preto rico no Brasil é branco, assim como branco pobre é preto". Nesse contexto, a determinação da própria cor se torna critério tão subjetivo que em questionário recente do IBGE, pautado na autoavaliação, foram detectadas mais de uma centena de colorações diferentes de pele.Em Nem preto nem branco, muito pelo contrário, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz revela um país marcado por um tipo de racismo muito peculiar - negado publicamente, praticado na intimidade. Para isso, volta às origens de um Brasil recém-descoberto e apresenta ao leitor os primeiros relatos dos viajantes e as principais teorias a respeito dos "bárbaros gentis", desse povo "sem F, sem L e sem R: sem fé, sem lei, sem rei", teorias estas fundamentais para o leitor moderno entender a complexidade de uma nação miscigenada e com tantas nuances.Passando pelos modelos deterministas raciais de finais do XIX, pelas teorias de branqueamento do início do século XX, depois pelas ideias da mestiçagem dos anos 1930, ou de estudos que datam da década de 1950, que queriam usar o "caso brasileiro" como propaganda, pois acreditava-se que o Brasil seria um exemplo de democracia racial, a autora nos mostra que, por trás do mito da convivência pacífica e da exaltação da miscigenação como fator determinante para a construção da identidade nacional, na prática, a velha máxima do "quanto mais branco melhor" nunca foi totalmente deixada de lado.Se por um lado a autora traça um panorama histórico, por outro joga luz sobre as sutilezas perversas do cotidiano. Seja na literatura, como no conto de fadas "A princesa negrina", em que os pais desejam ver a sua filha negra transformada em garota branca, seja na boneca loira como modelo de beleza, é também nos detalhes que a ideia de uma nação destituída de preconceitos raciais cai por terra. Com um texto engenhoso e claro, este ensaio, mais do que propor análises conclusivas, convida o leitor para uma grande reflexão sobre a questão racial no país.Editora: Claro EnigmaAno: 2013Idioma: PortuguêsISBN: 9788581660233Dimensões : 13.50 X 21.00 cmDescrição: 152 páginas - brochura
O artista Kor Alessandro, em sua autobiografia intitulada ELEgante: negro, gay e imigrante, além de nos permitir conhecer sua trajetória de vida traz como reflexão,através da sua escrita, questões familiares, econômicas e sociais a partir da afirmação de suas múltiplas identidades: ser negro, gay, nordestino, pobre. Identidades oprimidas, mas que não o impede de superar as adversidades.O autor, de forma original nos concede conhecer sua história de vida, perpassada por dores, alegrias, frustações e conquistas. Percurso que se assemelha ao de muitas outras pessoas que, assim como Kor Alessandro, tem sua capacidade intelectual, va lores, beleza, entre outros atributos, questionados por uma normatividade imposta que não inclui a população negra.O silenciamento da família em torno da sexualidade é outra questão de suma importância nesse trabalho. Quantas lésbicas e gays tem que se esconder para quem acreditamos, em um primeiro momento ser o nosso maior suporte que são nossas mães, pais, irmãos e irmãs? Quantos chegam a ser expulsos de casa de forma direta ou indireta por ter uma orientação sexual não hetronormativa? Questões subjetivas que conseguem vir à tona com este livro.Em suas andanças, Kor Alessandro, sente a crueldade e a desumanidade ocasionada pelo racismo quer seja na cidade mais negra fora do continente africano, Salvador/ BA, quer seja em outras cidades brasileiras ou por suas viagens pelo continente europeu. Ao falar sobre o racismo na cidade de Salvador ele afirma que:Aqui, os negros, gays e pobres sofrem com as contínuas tentativas de opressão, de cerceamento da liberdade. O preconceito é diário em bares, restaurantes, nas ruas, nas escolas, nos hospitais, nas lojas, nos ambientes de trabalho etc. Em todo canto desta cidade e deste país, nós não somos respeitados. ( p. 59).Entretanto, seus sonhos são retroalimentados por pessoas que vai conhecendo ao longo do caminho e por referências negras como: Abdias do Nascimento, Léa Garcia, Grande Otelo, Ruth de Souza, Zózimo Bulbul, Zezé Mota, Milton Gonçalves, Antonio Pitanga, Cléa Simões, Marina Miranda, Adele Fátima, Julcileia Telles…Cada capítulo deste trabalho nos desafia a repensar as relações sociais a partir do contexto racial, sexual, subjetivo. Uma autobiografia que revela muito de Kor Alessandro e, ao mesmo tempo mostra muito de nós negras e negros LGBT em uma sociedade racista, machista, homofóbica e classista.Ana Cristina Conceição SantosEditora: Circulo RojoAno: 2018Idioma: PortuguêsISBN: 978-84-9140-561-0Dimensões : 15x21Descrição: 316 páginas - brochura
O livro busca compreender como se dão as experiências sociais de criminalização das travestis, como grupo subalternizado, em relação ao duplo “crime/castigo”; quer dizer, suas experiências no chamado “mundo do crime” e a sociabilidade violenta a que estão submetidas e que as faz mais facilmente detidas pela polícia, bem como suas capturas pelas instituições de privação da liberdade. A intenção é compreender como esses marcadores funcionam para produzir a própria prisão e o sujeito preso, isto é, como contribuem para a constituição institucional e social do crime enquanto um processo social e de sujeitos e categorias de sujeitos aprisionáveis, por meio de processos de incriminação, criminalização, sujeição e seleção. Defende-se a tese de que esses marcadores sociais explicitam e especializam o processo de subalternização de determinadas classes e grupos, expresso não apenas pela dimensão da violência, da humilhação, da perda de direitos e de toda sorte de privações, como também pela dimensão da desobediência, do deboche, da luta e da resistência. A partir das narrativas de vida recolhidas sobre os significados produzidos pelas entrevistadas a respeito de noções como identidade de gênero, pobreza, trabalho sexual e crime, pôde-se perceber que existe um vasto campo de significações desde a enunciação da palavra “travesti” que conectam essa identidade à subalternização e à violência, constituindo aquilo que passa a ser entendido como vida precária – cujas mortes não merecem ser choradas pelo conjunto da sociedade e cuja qualidade vale menos no processo de produção e reprodução social. Já na perspectiva dos estudos críticos na área do serviço social sobre a categoria da subalternidade, constatou-se que a realidade de vida das travestis expressa a contraprova histórica desta tese, marcada pelo contrapelo que é ao mesmo tempo viver o conformismo e a resistência. Sobre o autor: Guilherme Gomes Ferreira é bacharel e mestre em serviço social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Doutor em serviço social pela PUCRS e pelo Instituto Universitário de Lisboa. É assistente social residente do Grupo Hospitalar Conceição e ativista na ONG Somos - Comunicação, Saúde e Sexualidade. É também parecerista ad hoc da Revista Serviço Social & Sociedade e autor dos livros "Travestis e prisões: experiência social e mecanismos particulares de encarceramento no Brasil" (Multideia, 2015) e "Diversidade sexual e de gênero e o serviço social sociojurídico" (Cortez, 2018). Opinião "Trata-se de trabalho de grande relevância científica e social. Aborda temática acerca de população necrobiopoliticamente demarcada pelo Estado, trazendo a dimensão das experiências sociais de criminalização das travestis, como grupo subalternizado, em relação ao duplo “crime/castigo”, e retrata suas experiências no chamado “mundo do crime” e a sociabilidade violenta a que estão submetidas e que as faz mais facilmente serem detidas pela polícia. É um trabalho com boa fundamentação teórica, bem escrito, provocativo, metodologicamente bem definido e com resultados interessantes que podem subsidiar não apenas a formulação de políticas públicas para a população travesti e trans, mas reorientar pressupostos teóricos nos campos das Ciências Socioculturais, da Saúde, do Direito e dos Direitos Humanos". Dra. Fran Demétrio - UFRBEditora: Devires Editora Ano: 2021Idioma: PortuguêsISBN: 978-8593646102Dimensões : 16 x 6 x 23 cmDescrição: 274 páginas - brochura
"Elinga-Teatro: performances do Teatro Angolano" é uma coletânea de peças de teatro, organizadas por José Mena Abrantes, dramaturgo angolano, pertencentes ao grupo Elinga-Teatro. Publicado em 2009, as narrativas abrigam a tradição oral e a história angolana. A dramaturgia hipertextual do discurso de Mena Abrantes entrelaça-se ao seu universo literário, que sempre aponta para a afrocultura.Editora: NandyalaIdioma: PortuguêsISBN: 978856119118-4
Com Tizumba, a arte é também política. Basta ver os espetáculos dos quais participa, as peças teatrais, as músicas que compõe, as produções que realiza e o lugar político que os tambores de Minas ganharam na sua performance. Há uma dimensão pedagó- gica na sua arte de tocar e ensinar a tocar o tambor. Existe, igualmente, uma criatividade educadora na produção musical que ele realiza...
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