Mais do que oferecer respostas definitivas, Laera convida à reflexão sobre como a tradução pode desafiar o status quo e contribuir para uma cultura mais diversa e inclusiva. A obra desmonta ao longo de três capítulos a ideia de equivalência linguística, examina as relações de poder na adaptação teatral e argumenta que ampliar o repertório de traduções é essencial para democratizar o acesso ao teatro...
Uma tempestade propõe uma releitura feita a partir de A tempestade, de William Shakespeare, uma das últimas peças escritas pelo autor inglês, que trata de relações de legitimidade e usurpação. Na trama, Próspero, duque de Milão, é deposto por seu irmão, Antonio, e exilado em um navio com sua filha Miranda, que atraca em uma ilha com dois habitantes: Ariel e Calibã. Ariel havia sido...
Esta coletânea, composta por nove peças escritas especialmente para o Teatro Experimental do Negro (TEN), tem organização de Abdias Nascimento, um dos fundadores e principal articulador do grupo. A nova edição inclui as nove peças e prólogo, presentes na edição original, de 1961, além de textos inéditos que evidenciam a trajetória e a relevância do TEN, tanto no contexto da dramaturgia quanto na luta contra...
Uma temporada no Congo, publicada em 1967, abarca cronologicamente os acontecimentos que se deram na República Democrática do Congo entre 1959 e 1961. Dividida em três atos, a peça de Aimé Césaire retoma os eventos políticos da independência e da subsequente nomeação de Patrice Lumumba como primeiro-ministro, indo até o assassinato do líder congolês, que resistiu e lutou pela libertação de seu país, colonizado durante...
Obra que desafia, emociona e projeta o futuro das viagens, destaca a revolução de um grupo de pessoas negras que, ao viajar, enfrentam afrontas em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural. A narrativa explora a resistência ao determinar que pretos devem ser excepcionais para se destacar. Afroturismo é mais que um livro, é um convite para reconectar-se e conhecer a potência da negritude em movimento....
Ódios e conflitos raciais nascem da ignorância e se nutrem de noções cientificamente falsas. Para demonstrar tais erros e refutar estes sofismas, para difundir as conclusões a que chegaram as diferentes disciplinas, científicas, a UNESCO reuniu especialistas nos vários campos relacionados com o problema e publicou os resultados de pesquisas e discussões na coletânea que pomos agora à disposição do nosso leitor.
A visão de Jean-Paul Sartre sobre o racismo após a Segunda Guerra Mundial foi profundamente influenciada por sua filosofia, o existencialismo, o que levou a seu envolvimento com as lutas anticoloniais e a suas colaborações com intelectuais negros. Sartre via o racismo não apenas como preconceito individual, mas como um sistema estrutural e histórico vinculado ao colonialismo e ao capitalismo. Em Reflexões Sobre a Questão...
O “conhecimento discursivo sobre a alma” não é exclusividade da cultura ocidental, muito menos dos tempos atuais. Todas as principais culturas conhecidas têm uma reflexão sobre o humano – o lugar do humano, a relação entre humanos e a relação entre o humano e as coisas. Além da Psicologia Indígena: Concepções Mesoamericanas da Subjetividade, de David Pavón-Cuéllar, é prova disso e também resposta a um...
Orfeu e o Poder examina a trajetória e a dinâmica do movimento negro no Brasil durante um período crucial da históira. Concentra-se nas lutas, estratégias e desafios enfrentados pelos ativistas nas duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, entre o final da Segunda Guerra Mundial e a Constituição de 1988, lidando com a dualidade entre a cultura e a política, daí seu...
Criado por Abdias nascimento, foi um projeto revolucionário que utilizou o teatro como arma política e pedagógica para combater o racismo, promover a valorização da cultura negra e inserir a população afro-brasileira no panorama artístico e intelectual do país. Muito mais que um grupo de teatro, foi um movimento que articulou cultura, educação e militância para contestar o mito da democracia racial e abrir caminho...
Crítico ácido e de estilo afiado, em Os bons ressentimentos, Elgas não poupa nem o conforto das academias ocidentais, nem a retórica de parte das elites africanas. Desmonta o espetáculo midiático do decolonialismo quando este se converte em rótulo, e repensa o legado de figuras como Cheikh Anta Diop, Frantz Fanon, Senghor e Yambo Ouologuem. É nesse embate, sempre polêmico e provocador, que sua escrita...
Em 1966, o saxofonista Archie Shepp declarou: “O jazz é anti-guerra; é contra a guerra no Vietnã; é a favor de Cuba; é pela libertação de todos os povos. Essa é a natureza do jazz. E isso não é exagero. Por quê? Porque o jazz é uma música nascida da opressão, nascida da escravidão do meu povo.” Essa leitura explosiva da música — e, em...
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